Palestra sobre nova Classe C marca 4º dia da Semana Internacional da Criação
30 out 09

O quarto dia da 23ª Semana Internacional da Criação contou com palestras de Fernando Vega Olmos e André Torretta. Confira comentários de Tyara Veriato, redatora da Antares Comunicação que participa do evento.
29 de outubro – 4º dia – “O Brasil é muito mais que a Avenida Paulista e o Leblon de Manuel Carlos”.
A noite do 4º dia contou com a participação de Fernando Vega Olmos, diretor de criação da JWT para Europa Continental e América Latina com o tema “Mãe Crise”. O segundo palestrante foi André Torretta, sócio-diretor da A Ponte Estratégia, falando sobre a nova classe média brasileira.
Fernando Vega Olmos iniciou sua palestra falando sobre as oportunidades que as crises econômicas geram para o mercado, em especial para os países em desenvolvimento, e que as decisões erradas são tomadas antes dela. Para Vega, a crise é um excelente momento para o cliente enxergar o seu produto e acrescentou: o meio não é mais a mensagem, agora o produto é a mensagem. “O produto precisa ser bom. Às vezes é preciso dizer ao cliente para mudar seu produto. Ele precisa ser atraente. É assim que se faz comunicação convincente”. Ele acredita que as agências precisam ser mais proativas e uma das formas de se fazer isso é propondo edições especiais. Para finalizar, Vega definiu a boa comunicação como uma fórmula de três componentes essenciais: “um produto que diga tudo, uma boa história e um tom de voz adequado”.
André Torretta, que possui uma empresa especializada em consultoria e pesquisas, trouxe um tema instigante e uma palestra recheada de dados e informações valiosas sobre uma classe econômica que cresce vertiginosamente no país, a classe C. Formada por pessoas que hoje financiam sua casa, vão à universidade, compram carros e motos, se divertem, casam, possuem celular e são na sua maioria analfabetos informais. “Essa é a nova classe média, que receberá mais de 2 bilhões de pessoas até 2030. É preciso conhecê-la para se comunicar com ela” e acrescentou: “O Brasil é muito mais que a Avenida Paulista e o Leblon de Manuel Carlos”.
O mais curioso é a forma como a empresa de Torretta realiza suas pesquisas, com pesquisadores da Classe C, apelidados de “antenas”, que falam a língua dos seus entrevistados e coletam dados com filmadoras e máquinas fotográficas, sem filtro. Dessa forma, ele conseguiu informações valiosas: dos 64 milhões de brasileiros on-line, 50% são da Classe C e 57% desses acessos vêm de Lan House. Segundo suas pesquisas enquanto os integrantes da Classe A acessam a intenet para se conectar com o mundo, os da nova Classe C querem se conectar com a sua comunidade. “A Lan House é a nova praça pública”. Daí o sucesso de sites como Orkut e programas como MSN.
A relação dessa classe econômica com as marcas também está fortemente ligada a esse sentimento de pertencimento a sua comunidade. Para o palestrante, os profissionais de criação devem estar atentos a como eles se relacionam com o mundo, seus valores e em especial ao seu nível de escolaridade, pois 72% são analfabetos funcionais que não conseguem entender o que lêem e nem sabem escrever um bilhete. “Não dá para usar no VT só trilha sonora e caracteres. Você não vai ser entendido. É preciso pensar como eles e fazer uma comunicação com a cara do povão” e terminou a noite deixando dois recados para a platéia: “Você está preparado para o novo Brasil?” e “Quais as mídias você vai usar para se comunicar com a Classe C”.



